( Preciso falar mais aluma coisa???)
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Do Amor - Paulinho Moska
Não falo do amor romântico, Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependência e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com amor.Chamam de amor esse querer escravo, E pensam que o amor é alguma coisa Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, Antes de ser experimentado. Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta. A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.O amor é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine? Minha resposta? O amor é o desconhecido. Mesmo depois de uma vida inteira de amores,O amor será sempre o desconhecido,A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.O amor quer ser interferido, quer ser violado,Quer ser transformado a cada instante.A vida do amor depende dessa interferência.A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, Decidimos caminhar pela estrada reta.Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim. Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor.É a minha alma que o saboreia.Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.Sua força se mistura com a minha E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.O amor brilha.Como uma aurora colorida e misteriosa,Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.Nós dançamos sua felicidade em delírioPorque somos o alimento preferido do amor,Se estivermos também a devorá-lo.O amor, eu não conheço.E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,Me aventurando ao seu encontro.A vida só existe quando o amor a navega. Morrer de amor é a substância de que a vida é feita. Ou melhor, só se vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.
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